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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Diálogos de mundos distintos.

Abençoado: "Aleluia, comprei meu carro do ano!
Ele poderia ter salvado milhares de crianças das guerras, pessoas pobres com câncer... mas preferiu me dar o carro que tanto pedi. Ele é maravilhoso e guia meus passos!"

Amaldiçoado: "Por que eu estou aqui passando fome, entre tantos outros, os quais vejo abutres esperarem o último suspiro para atacarem? Fomos amaldiçoados por um barbudo velejante e seus animais sagrados? Nossos ancestrais falavam em línguas obscuras? Por que nossas crianças já nascem mortas?

Dormimos sem ao menos saber se acordaremos. As vezes nem sabemos se estamos vivos, pois estamos mortos por dentro e invisíveis para o resto do mundo.
Por que ainda olhamos para as nuvens esperando algo que nunca virá?
Eles têm carros, casas, mulheres brancas de cabelos lisos e muita fartura... tudo isso por causa da fé? 

Fé... Fé é o que nós temos desde quando vimos nossos pais morrerem por nós. E agora morremos por eles, amparados por uma falsa esperança de que esse mundo depravado irá mudar.
Eles compram coisas, comem até ficarem cheios, jogam fora o que não conseguem mais comer e depois repetem a dose. Desfilam com seus carros, tiram fotos e colocam naquela coisa que chamam de internet, para que outras pessoas encham os seus egos com elogios, o que na verdade tem gosto de inveja. Como eles estão cegos... e nós, os invisíveis, só precisamos de comida e um pouco de dignidade.
Céu e inferno não existem. Eles estão dentro de nós... fazemos o bem ou fazemos o mal. Seres invisíveis não são responsáveis por nossos atos.
Se você acredita nas palavras que prega, levante-se, tire seu terno caro e venha para as ruas doar, e não pedir.

Se ao menos tivéssemos algum dinheiro para ofertar, talvez quem sabe, ganharíamos uma benção."

Minhas peripécias.

Hoje fiz um ilustração que há muito tempo não tinha o prazer de fazer. O que acharam?


domingo, 22 de setembro de 2013

Pedaços de Lembranças Esquecidas

No dia em que você puder ouvir o meu silêncio e as batidas do meu coração à milhas de distância, um dia, quem sabe um dia eu esteja novamente ao seu lado.

Eu não posso afogar os demônios do passado, pois eles sabem nadar e gritam ao meu ouvido o quanto você me fez mal. A decepção pode criar muros inquebráveis e forjar um caráter mais forte em qualquer pessoa. 

Justo eu...


Fazia tempo que não andava pensativo assim. Talvez pelo fato de não ter lembrado do meu pai, mas acabei lembrando... 
Eu era pequeno e iria fazer 7 anos. Não posso reclamar da minha infância, mas perder um pai sem ao menos ter vivido algo especial com ele é o mesmo que nunca ter tido um. Mãe teria responsabilidade em dobro e muitas vezes precisou de ajuda. Economia aqui, corte de gastos ali... justo ela que pensava em ter uma família como qualquer outra, perdeu o marido tão cedo. 
Íamos para o catecismo, mesmo sem eu gostar, e tínhamos que nos confessar... o que uma criança teria de errado para confessar já que minha rotina se limitava a estudar, desenhar e brincar? Não tinha coragem de matar um passarinho, imagina cometer um ato para que fosse considerado pecado.
Sempre questionei algumas coisas mas ouvia toda vez: "não queira entender os mistérios de deus."
Foi então que cresci com um pé lá e outro cá. Recebia muitas respostas erradas com direito a cara feia por causa das minhas perguntas certas. E até hoje me dão as mesmas respostas erradas como se no fundo o medo falasse para eles: "não duvide mesmo havendo dúvidas, pois você será castigado."
Vivi tentando entender onde estavam os dinossauros nessas histórias. Por que o senhor nunca apareceu em nosso tempo, mas naquela época vivia falando com as pessoas? Como uma família que tem o cristianismo como base pode fazer tantas coisas erradas, mas que no ponto de vista dela tudo está correto? Por que crianças nascem com câncer? Onde caberia tanta gente no outro mundo desde os primórdios da humanidade? Por que mataram o homem que trabalhava no sábado para sustentar a família já que hoje as pessoas trabalham de domingo à domingo? Se eu abrir na garagem da minha casa uma "igreja" alí será a casa do senhor e todos deverão trazer suas riquezas para mim? Coisa de criança, não é? rs
Eu ainda fiz a famosa crisma... O que não serviu de muita coisa, afinal meu "padrinho" fingiu que eu não existia ao encontrá-lo na rua, como se eu fosse pedir algo tipo uma pessoa necessitada.
Li a bíblia algumas vezes e vi muita coisa errada as quais tentam justificar até hoje, pois se trata de tradições de uma cultura daquela época. Então o genocídio, apedrejamento de mulher, assassinatos de todos os primogênitos e todas aquelas pragas divinas que mataram milhares de pessoas podem ser desconsiderados e só valem as partes boas? Como Josué matou geral com o apoio do pai celestial, hein?. (y) 
Eu nunca precisei que um líder religiosos me dissesse o que era bom ou ruim para que eu tivesse consciência disso. Mas como vivi debaixo de toda essa tortura psicológica que a crendice condiciona, meus medos conseguiam me vencer e a procura por algo em que me apoiasse vivia me perseguindo. Eu sempre procurava um líder para ouvir algum blá blá blá que fizesse me sentir menos pior por algum erro que eu mesmo poderia resolver.
Como pode alguém ensinar sobre deus e ser racista? Talvez pelo mesmo motivo que os jesuítas condenavam os índios à morte ou escravidão por não aceitarem uma cultura a qual eles nunca viram. Pelos mesmos motivos que mandavam mulheres consideradas bruxas para a fogueira. Ou quem sabe pelo mesmo motivo que hitler promoveu o genocídio de milhares de judeus.
Posso resumir sua presença como um delírio individual quando há falta de recursos, necessidade de obter algo que não está dentro do seu alcance ou agradecer por algo para que outras pessoas sintam inveja. A cultura do egocentrismo.
Meu dízimo? Quase todas as semanas vai parar nas mãos de quem realmente está passando por dificuldades. :)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Simples como marcar um gol.

Hoje estava almoçando e assisti na TV uma matéria sobre um massagista, que invade o campo e impede o time rival de realizar um gol, o qual seria decisivo no campeonato. Fiquei me perguntando, se fazendo isso ele ganharia alguma coisa e até que ponto pessoas estariam dispostas a entregar suas vidas por algo sem lógica. Bom... pode ter lógica para outras pessoas, mas ainda não consegui encontrá-la.

Lembrei do tempo de escola e dos dias de educação física. Recordo que a única atividade naquela época era jogar bola. Não tinha mais nada entre os garotos que não fosse correr atrás de uma bola. Eu não gostava de futebol, quer dizer, continuo não gostando. Já as meninas gostavam de jogar queimado. Eu gostava de queimado mais que futebol. 

Eu gostava de desenhar, mais que jogar queimado na verdade. Não sei por que a escola não investia na atividade preferida de cada aluno. Agora vejo que, por não ter um dia da semana para desenvolver minhas habilidades, meus cadernos tinham mais desenhos que deveres. Teve até uma época em que gostei de futebol... na época em que a seleção foi tetra. Na empolgação da molecada, lá na casa de minha avó, até que deu pra curtir aquilo. Mas também só durou os dias da copa mesmo. 

O SESI era tipo um quartel infantil. Todo dia cantávamos o hino nacional levando Sol na cara antes da aula. Eu não gostava nada daquilo, mas era criança, né? Não tinha como virar a carteira na sala de aula e pular o muro. rsrs 
O couro já comia em casa se a gente derrubasse uma colher no chão, imagina dar um fuck you na frente da professora.

Tão bom ser diferente! 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Parabéns, Dom Pedro!

Uma boa tarde, boa noite ou bom dia para você que está lendo meu texto. Bom, sabe-se lá qual o horário você esteja aí do outro lado vendo isso.

Dia 7 de setembro... Dia da Independência do Brasil e do meu aniversário! ... 

Não tenho muito o que comemorar, quer dizer, até tenho, afinal eu estou vivo! Não dá para comemorar o aniversário estando morto. Mas vai saber se não rola umas vibes no outro mundo. Nego dançando e flutuando ao mesmo tempo, pense na loucura!

Quando eu era criança comemorava mais a data do meu aniversário, pois minha mãe sempre fazia festa e me dava uns presentes que eu sempre queria. Tipo algum boneco dos X-men ou dos comandos em ação. O boneco dos X-men eu deformei o rosto com cola de cano para ser o Magneto Morto Vivo e os Comandos em Ação sempre viviam pendurados por uma cordinha pelos cantos da casa. Ah, e tinha umas massinhas de modelar da hora que meu irmão Murilo Gomez da Silva, era especialista em fazer uns monstros mais divertidos que 10 bonecos do Ben 10. Valeu, irmão por aturar meus pedidos na infância! 

Quando entrei na adolescência as coisas não ficaram tão legais assim. Comecei a engordar e sofrer o que hoje chamam de Bullying. Foi nesse tempo que imaginava todo mundo da escola morto. Mas não se preocupem, a fase sociopata já passou!
Tinha dias de não querer mais ir ao colégio, era uma tortura saber que no outro dia teria que entrar na sala, ouvir piada e ter bolinha de papel na cebeça a aula inteira. Será que desde que o mundo é mundo a popularidade dos gordos é quase inexistente? Valeu, idiotas, por despertarem o senso crítico em mim e me fazerem cair em depressão por 3 anos. Vai ver seja por isso que nunca gostei de farda, seja ela de escola ou trabalho.

Comemorar aniversário em 7 de setembro sempre teve o lado bom e ruim. Bom, por que é feriado e ruim por que nunca tive uma festa na escola. Eu sempre batia palma para todos os outros alunos durante o ano e ninguém batia palma para mim. E no trabalho quando alguém fazia aniversário, tirava o dia de folga e ficava todo contente. No meu todo mundo tirava o dia de folga. Ou seja... Qual era a graça? Fora que depois da adolescência minha mãe fazia umas festas assim, tipo que, forçando a barra. Convidava umas pessoas nada divertidas e que só queriam comer os doces. Se eu não tinha muitos amigos, o que restava era sorrir para o povo como se fossem da família. 

Então é isso, espero que lembrem do meu aniversário esse ano e vou comemorar muito. Afinal não é apenas dia da independência do Brasil mas da minha também, pois lutei e muito para não depender de ninguém. Hoje só dependo dos meus cliente. Eu amo meus clientes... Eles estão me deixando rico! Não, brincadeira... Quase.

Parabéns para mim! 

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