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segunda-feira, 21 de maio de 2012

MINHA HERANÇA

Já comemos leite com farinha e arrastamos chinelos remendados. Desenhamos o mundo nos cadernos do colégio e fomos elogiados. Mesmo sem sermos pop stars era lá onde nós queríamos chegar.
Bola de gude, carrinho de rolimã, cavaco chinês... E o nosso crime? Ficar até depois das dez assistindo filme.
Voltava pra casa todo dia com mãe chegando às seis da noite vendo tudo que estava errado e mesmo assim mantendo a paz entre a gente.  No final de semana tinha a fonte do Manoel Preto que era a diversão da molecada... Piaba escapando da mão e caindo dentro do vasinho de vidro. Ficava um tempão em cima do armário tipo peixe de aquário. Era minha diversão enquanto eu moía o farelo de pão e fazia de ração.
Eu cantava Michael Jackson durante o banho todos os dias e dava a mesma satisfação como se estivesse diante de um público... Com nove anos eu já tinha ídolos de gente grande.
Saudade do tempo em que tudo parecia muito verdadeiro... Hoje, só pessoas correndo e falando em fazer dinheiro.
Aprendi que você pode ganhar um milhão, mas se não houver coração entre tudo isso não haverá razão.
Ainda guardamos lembranças em caixas de papelão em baixo da cama. E quando falo nisso esqueço qualquer ego que poderia me consumir.  Pessoas abandonam a infância sem lembrar da própria herança. Quando “amadurecemos” perdemos a nossa humildade, a que nos fazia quando pequenos parecermos seres humanos de verdade.


Marcos Gomes

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